21 Abril 2012

PURO EXEMPLO



Oriundos de Lisboa e praticantes de uma sonoridade pop-rock, os Puro Exemplo tiveram a sua estreia discográfica em 1998, com o álbum intitulado "Tudo Bons Exemplos". A edição coube à Pex, uma editora discográfica criada pelo próprio grupo. Com o lançamento de dois videoclips de temas desse álbum, "Vais Ver" (no Verão de 1998) e "Estação das Memórias" (início de 1999), os Puro Exemplo atingiram vendas consideráveis para uma banda em início de carreira. Durante a digressão de apresentação do álbum, o grupo relança o CD fazendo destacar novos singles, conseguido um bom airplay nas rádios. O ano 2000 oferece um novo trabalho da banda, "Viragem", que se caracterizava por uma evolução quer na imagem, quer na sonoridade. Os singles "Space (Vou Entrar)" e "És Ruína" foram, em certa medida, verdadeiros trampolins para o sucesso do seu longa duração seguinte, que contou com a participação especial no saxofone de Gui (Xutos & Pontapés). As influências dos Puro Exemplo eram bastante diversificadas, pelo que lhes é difícil assumir alguma banda como referência. Mesmo assim, referia Xutos & Pontapés, Clã, U2 ou Limp Bizkit como referências. Os espectáculos que mais marcaram a banda realizaram-se na Voz do Operário e na Expo'98 (Praça Sony). Em 1999 realizaram, no Teatro Maria Matos, um concerto acústico a favor de Timor, que contou com a participação de Jorge Palma. De 2000 ficou-lhes na memória o Festival da Cerveja de Penalva do Castelo. O projecto era constituído por Paulecas (baixo, voz), Fernando (guitarra), Carlos (guitarra) e Alfredo (baixo).

DISCOGRAFIA


TUDO BONS EXEMPLOS [CD, Pex, 1998]


VIRAGEM [CD, Pex, 2000]

COMPILAÇÕES


PROMÚSICA 24 [CD, Promúsica, 1999]


PROMÚSICA 50 [CD, Promúsica, 2001]

PRESS
Tempo de Mudança, António Conceição, Promúsica 50 de 03-2001

20 Abril 2012

CAPELA DAS ALMAS



Capela das Almas foi uma banda de Gothic Metal nascida em Almada em finais de 1989. Muito inflienciados por grupos como The Sisters of Mercy ou Fields of The Nephilim, só em 1993, após diversas alterações no seu line up inicial, gravam o seu único trabalho, "Estranhos São os Designios de Deus", que será editado no ano seguinte no formato cassete. Dada a muito boa aceitação por parte do público apreciador do género, esta demo permitiu-lhes a possibilidade de actuação em cerca de 40 concertos. Destes, poder-se-ão destacar a abertura da tour "Under The Moonspell" dos Moonspell e a primeira parte do derradeiro concerto dos Land of Passion ocorrida no Ponto de Encontro em Almada. Em 1997 cessam actividades mas esse facto não impediu que, dez anos depois, se tenham reinventado através da produção de "A Muralha" e "Fogo de Outra Sorte", dois temas que foram gravados e masterizados nos Dark-Cell Studios. O grupo contou, na sua fase inicial até 1990, com os seguintes membros: Paulo Mosqueteiro (voz), Luís Marreiros (bateria), Luís Popas (baixo) e David Rato (guitarra). Entre essa data e 1994, altura de gravação do seu longa duração, registou-se a admissão de Hugo Osga (bateria) e de Miguel du Vale (teclas), bem como a mudança do baixo para a guitarra de Luís Popas e a entrada de Mário Chagas para baixista, mantendo-se apenas Paulo Mosqueteiro e David Rato. Em 2007, aquando da reunião do grupo para gravação de dois temas, a formação contou com Paulo Mosqueteiro, Rui Lobato (bateria), Bruno Pirata (baixo), Carlos Nobre (teclas) e de Paulo Miguel. Passaram ainda esporadicamente pelo grupo, ao longo da sua existência, Norberto (guitarra), João (guitarra) e Quim (baixo). Durante a sua actividade, os Capela das Almas defenderam acérrima e intransingentemente que o seu propósito era o de "desenterrar fórmulas antigas e velhos tesouros, transformando-os em novas glórias". Acrescentavam ainda que "não nos interessa que possam discordar da nossa filosofia. A nossa luta não é politico-social, a nossa luta é pela Alma!" É com este espirito que se procuraram transcender, alcançando um estado a que também se haviam proposto os seus mentores. Insistindo num discurso etéreo e algo inconsequente, referiam que a Música não era o horizonte a atingir mas apenas o meio utilizado para chegar ao "Caminho", caminho esse, que segundo as letras da banda - metaforizada por temas como "Negras Rosas" -, acabaria por ser uma espécie de nirvana, um estado acima do físico.

DISCOGRAFIA

ESTRANHOS SÃO OS DESÍGNIOS DE DEUS [Tape, Edição de Autor, 1994]

PAULO ALEXANDRE E OS TELSTARS



Paulo Alexandre (pseudónimo de Modesto Pereira da Silva Santos), nascido em Vouzela no dia 16 de Fevereiro de 1931 iniciou a sua carreira artística em 1954, na extinta Emissora Nacional, no programa "Ouvindo As Estrelas" ao lado de nomes como Luis Piçarra, Maria de Lurdes Resende e Rui de Mascarenhas. Em 1958 junta-se a três solistas da Emissora nacional - Nuno d’Almeida, Américo Lima e Fernando La Rua - para formar o Conjunto vocal 4 de Espadas. Grava um EP com a Orquestra de João Nobre. Com os Telestars lança um EP que incluía temas como "Dancemos O Twist" e "Horizonte de Esperança". As duas primeiras canções são interpretadas por Paulo Alexandre acompanhado pelos Telstars e as duas restantes são instrumentais dos próprios Telstars. Neste EP, os Telstars eram Luís Pedrosa, Artur Pinto, João Vasco Mora e Carlos Silva Pereira. Os Telstars tiveram uma curta existência entre 1962 e 1964, sendo então apresentados como a réplica portuguesa dos famosos Shadows. O viola solo do conjunto, Luís Manuel Pedrosa, teve a primeira Fender existente em Portugal, exactamente igual à de Hank Marvin. O grupo gravou um único disco, em 1963, com selo da editora Alvorada, acompanhando Paulo Alexandre. Em Setembro do mesmo ano participaram no Concurso tipo Shadows realizado no cinema Roma em Lisboa. A ideia do nome da banda deveu-se a João Vasco Mora, que pretendeu homenagear o primeiro satélite de telecomunicações lançado precisamente em 1962. Paulo Alexandre dedicou-se posteriormente ao cançonetismo popular e à música ligeira, numa longa carreira cujo ponto comercial mais alto foi o famoso tema "Vinho Verde".

DISCOGRAFIA


DANCEMOS O TWIST [7"EP, Alvorada, 1963]

COMPILAÇÕES


PORTUGUESE NUGGETS 03 [LP, Galo de Barcelos, 2007]

AZIA



Os Azia nasceram em Barcelos em finais de 2003 enquanto banda, apesar do seu vocalista e guitarrista, Pedro Luis Silva e do seu baixista, Filipe Brito, já tocarem em conjunto há cerca de dois anos sob designações como Dissidentes ou Religião Imoral. Já com a parceria de Fábio Rodrigues (bateria) e Márcio Costa (guitarra) gravam, em Janeiro de 2004 no Estúdio Oops!, em Barcelos, a maqueta "Olá?!". Os concertos surgem e as polémicas tornam-se constantes: o alcoól em excesso, a impertinência e insurreição que sempre marcaram a atitude da banda não grangeou muitos adeptos... Apesar desse facto, o Verão de 2004 caracteriza-se por muitos concertos, partilhando palcos com bandas como Speedtrack, Rendimento Mínimo, Lip Poppers, Quetzal's Feather ou Zieben. Tocam no Festival Avante! Minho (naquele que será o seu pior concerto de sempre, segundo os próprios!), Barcelos Para a Música ou Festival MMP de Gondomar. Em Outubro desse ano, os Azia fazem um interregno nas aparições ao vivo, com vista a concentrarem-se exclusivamente nos ensaios, voltando á estrada apenas em 21 de Maio de 2005, tocando com os Decreto 77 e July Thirteen. Na mesma semana tocam em Vieira do Minho com mais três bandas de Metal! Foi o concerto mais caótico que a banda deu e também o último de Fábio Rodrigues na bateria... Com alguns concertos já marcados, os Azia veem-se na contingência de cancelar alguns deles, acabando mesmo por só tocar mais uma vez com a colaboração dum amigo da banda, Morto, que assume a função de baterista provisório. Com a não permanência deste elemento de forma definitiva, a banda procura recrutar novo elemento, o que só virá a acontecer quando Valter Araújo (Freedom of Thought) surge no panorama. 2007 foi um ano em cheio para os Azia. Além da gravação de "Que Se Foda", tocam um pouco por todo o lado na zona norte do país. É também nesse ano que Valter Araújo, que desde Outubro de 2005 ocupava o lugar de baterista. É editado o EP pela Infected Records DIY, numa tiragem em CDR limitada a 77 exemplares e cujo produto da venda reverteu a favor da União Zoófila de Lisboa. Os Azia decidem então convidar dois amigos para integrar a banda. Ingressam assim Pedro Branco (voz) e Davide Gaião (bateria). Em Maio de 2009, apesar do forte contributo que havia dado à nova sonoridade da banda, Pedro Branco abandona o grupo e o seu lugar volta a ser ocupado por Pedro Silva. Marcio Costa também sai do projecto evocando motivos pessoais e os Azia passam a trio. Em 2010 cessam a sua actividade.

DISCOGRAFIA


QUE SE FODA [CDR, Anti-Corpos DIY, 2006]

19 Abril 2012

BASTARDOS DO CARDEAL



Nascidos em 1982 em Viseu, os Bastardos do Cardeal arrancaram com Vítor (bateria), Vaz Pato (baixo e voz) e José Pedro Athayde (guitarra). Pouco tempo depois, ainda em Viseu, José Valor(guitarra) é admitido na banda, substituindo José Pedro Athayde que saira para formar os Dead Dream Factory. Valor tinha uma velha guitarra portuguesa que não sabia tocar e com a qual se apresentou - devidamente electrificada à sua maneira -, sendo talvez a melhor coisa que aconteceu, na altura, ao projecto, pois operou nela a transformação sonora que, nessa altura, se mostrava necessária, fazendo-a emergir duma adolescência que tardava em acabar. Mais tarde, José Valor saiu do grupo em conflito. criando posteriormente os Centro de Pesquisas Ruído Branco e participar também nos Lucretia Divina e (mais tarde) nos Major Alvega. Em 1985 entra Morgadinho para o colectivo. Em Julho desse mesmo ano, tocam em Aveiro no Festival Agitarte. Em 1986, a banda volta a incorporar um novo elemento, o guitarrista Duarte, que apenas tocará com o grupo numa apresentação no Rock Rendez Vous. Por esta altura, o grupo ontegra a compilação "Divergências" com o carismático tema "Aranha". A formação responsável pela faixa foi constituída por Vaz Pato, Zé Valor, Vitor e Morgadinho- Como este ainda nunca tinha ensaiado, limitou-se a tocar balões, tendo a voz sido assegurada por Vaz Pato. O projecto estava em constante mutação e após um período conturbado que dá origem à saida de José Valor, entram dois novos guitarristas: João Pratts e Alfredo, sendo que o primeiro estará muito pouco tempo no seio dos Bastardos (na realidade participou em dois ou três ensaios!). José Valor que entretanto saira do grupo, retorna ao mesmo em Setembro de 1988. Em 1989 participaram no 9º Aniversário do Rock Rendez Vous. Como curiosidade poder-se-á acrescentar o facto dos Bastardos terem sido, à época, a banda portuguesa geograficamente mais abrangente, pois esteve sedeada em três cidades diferentes: numa primeira fase ensaiava em Viseu; numa segunda fase em Coimbra e por fim, numa derradeira fase, em Lisboa, sempre que o dinheiro dava para alugar sala e pagar as viagens de quem estava na Beira (Vaz Pato e Vitor).

CASSETES
Feira de S.Mateus, Viseu 1988 (7 Temas, 21:34)
Rock Rendez Vous, Lisboa 1989 (3 Temas, 14:22)

COMPILAÇÕES


DIVERGÊNCIAS [2xLP, Ama Romanta, 1986]


AMA ROMANTA SEMPRE! [2xCD, Candy Factory, 1999]

PRESS
Bastardos do Cardeal e o Ruído, por José Faísca, LP nº 4 de 24-11-1988
RRV - Miados ao Quadrado por Vasco Fernandes, Blitz nº 222 de 31-01-1989
Depois dos Factos por José Fáísca, LP nº 14 de 02-02-1989

MINDLOCK



O início dos MindLock data de 1995 em Faro. Na altura, a banda era constituída por Filipe Cabeçadas (bateria), Xico (guitarra), Nelson Amaro (aka Abelha, voz) e Coimbra (baixo), mas, após alguns concertos, este último foi substituído por Vitanga. Depois de mais problemas com a formação, a banda viria a estabilizar em meados de 1999 com a admissão de Miguel (baixo). Entretanto, deram alguns concertos, de Norte a Sul do País. Nesse mesmo ano e no seguinte, o grupo consegue bons resultados nos muitos concursos de música moderna em que participou: Azinhal 99 (primeiro lugar), Além Rock 2000 (primeiro lugar), Maio Jovem, Bandas Amadoras do Tôr, entre vários outros. Em Dezembro de 2000, os MindLock lançaram finalmente o seu primeiro CD, com 4 faixas, intitulado "Manifesto". Segundo a banda, este trabalho apostava num "som bastante agressivo, ao qual se juntava uma grande dose de melodias, que tornavam o som fácil de ouvir". Os Mindlock apresentaram-se sempre como um grupo coeso e competente com temas que iam do hardcore rápido e duro - influencias dos seus primeiros tempos -, a um rock cheio de groove e de riffs poderosos, numa fusão de core/metal muito interessante. Em 2003 é editado pela Sons da Fortuna o primeiro longa duração do grupo, de seu nome "Ego Trip", revelando uns Mindlock bem mais maduros e confiantes do caminho que desejavam traçar. Gravado nos estúdios Sounds of Fortune, a produção do disco supreendia, face à coesão dos instrumentos de corda com a bateria. De referir a versão bem imaginada de "Unbelievable", um original dos E.M.F., que trazia ao trabalho um momento de descontracção e divertimento. Próximos de uns Biohazard, Hatebreed, Earth Crisis ou mesmo Clawfinger, estava-se perante um dos melhores álbuns de Metal desse ano. Finalmente, em 2010, os Mindlock voltam a gravar, desta vez o seu segundo álbum, editado pela nova Rastilho Metal Records, subsidiária da Rastilho Records, é um grande disco, um dos melhores que o metal nacional viu nascer em 2010. A formação era agora constituída por Carlos Vilhena (voz), Francisco Aragão (guitarras e voz), Miguel Santos (baixo) e Amadis Monteiro (bateria). Foram eles que fizeram nascer "Enemy of Silence", um álbum absolutamente devastador. São escassos os momento repouso, tempo de reflexão ou exagerada melodia. Neste disco, o importante é a velocidade, a dureza da máquina, a violência do todo.

DISCOGRAFIA


MANIFESTO [CDR, Edição de Autor, 2000]


EGO TRIP [CD, Sons da Fortuna, 2003]

ENEMY OF SILENCE [CD, Rastilho Metal Records, 2010]

COMPILAÇÕES


PROMÚSICA 54 [CD, Promúsica, 2001]


ROCK SOUND 08 [CD, Rock Sound, 2003]


CHOQUE FRONTAL 03 [CD, RockPit Records, 2006]


COVERS, CU & MAMAS: O TRIBUTO IDEAL [CD, Hellxis Records, 2010]

PRESS
Manifestação Algarvia, José Rodrigues, Blitz nº 853 de 06-03-2001

15 Abril 2012

CMYK



Inicialmente Obus e a funcionar como trio, os CMYK assumem a sua designação em 1998 passando a ter nos seus quadros, Daniela Basílio (voz), Francisco Furtado (guitarra e voz), Hugo Gustavo (baixo) e Ricardo Lourenço (bateria). As alterações não estiveram relacionadas com a mudança de nome, antes foram definidas por uma ruptura com a anterior sonoridade. Tudo começou com a junção do guitarrista Francisco Furtado, do baterista Ricardo Lourenço (ex-Alegre Escumalha) e do baixista Hugo Gustavo. Os Obus eram praticantes de um punk hardcore incipiente mais imposto pela incapacidade técnica e pela verdura das idades dos seus membros que por opção própria. De qualquer forma, o grupo denotava já vontade de fazer música imbuída de "uma tentativa de inovar as estruturas musicais desta antiga fórmula". Após dois anos de ensaios e de concertos, em 1998 surgiu a necessidade de integrar um vocalista solto, dado que, até à data, as vozes haviam estado a cargo de Francisco Furtado, com Hugo Gustavo a dar-lhe apoio. Daniela Basílio entra numa altura em que o som da banda começava a sofrer algumas transformações, aproximando-se mais de um estilo alternativo. Com o evoluir dos ensaios, o som foi-se alterando progressivamente e os Obus transformam-se nos CMYK. Este nome (ler ""semique") significa "um sistema de mistura de cores em artes gráficas, Cyan-Magenta-Yellow-Black", explicava o grupo na altura das suas primeiras entrevistas. Projectos e músicos tão diversos como The Police, Incubus, Bjõrk, Placebo e Frank Zappa eram algumas das referências abertamente assumidas pelos seus elementos, influenvciando aquilo que faziam. Desde a sua formação, os CMYK actuaram no Marquês Rock Club (Tocabrir'97), no Rookie, no VI Festival de Música Moderna de Loures e no Seixal Rock 2001. Posteriormente houve um outro grupo com a mesma designação, este ligado à experimentação e liderado por Jorge Trindade (aka Travassos).